domingo, 19 de dezembro de 2010


Combinado... Prometo que só serei forte por mais vinte passos, depois disso te deixo cuidar de mim. De mim que já não me aguento mais em pé. Que não sustento mais esse sorriso. Que não durmo mais. Que não como mais. Que já não posso mais olhar um palmo a frente. E me deixo cair nos seus braços e no seu abraço fico quieta, te deixo cuidar de mim. Só mais vinte passos.E eu paro de gritar e de provar que sou de aço, que não desmancho, que não desfaço.E que arrebento qualquer onda no peito. Combinado. Daqui vinte passos...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Um bloco de rejunte

-... ?
- Fazia, e faz ate hoje. Mas acho que fui me libertando do elo que me ligava a essa area nele. Fui deixando de sentir o cheiro. Porque ele deixou de ter o cheiro.
Mas esse foi um dos livros que me causou maior impressão física.
Eu sentia a dor no meu corpo, a dor dela.
E quando ele a leva para o "suicidio" eu fui também. E eu estava tão nela que escolhi uma árvore e disse " Sim eu faço de livre e espontânea vontade ", mas ela não estava, ela desceu e não pode.
Então eu morri sozinha e me libertei da dor que Tomas me causava.
- E dele você se libertou ?

quarta-feira, 21 de julho de 2010




"Deixo os raios do Sol estourarem em meu rosto. É preciso um pouco de cada estação. Tem de se rir em alta velocidade, e chorar lentamente. Preciso sentir minha pele novamente. Preciso doer dentro de mim. "

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Ainda considero...

... que a gente vai se deixando perder. Vai deixando secar. Ou sangrar, talvez a resposta esteja na sangria. E as pessoas vão perdendo os elos, por bobagens. Por sempre achar que encontrarão lá na frente algo melhor que o que tem agora. E esperam voltar e reatar tudo como antes. Não. Não existe liberdade para isso. Não há como fazer uma escolha e tornar a fazer a escolha oposta como se fosse possível anular as experiências da primeira. Não existe a tal liberdade. Ouça isso, estou gritando em seus ouvidos. Não há essa porcaria de liberdade, ninguém é livre. Você está preso nem que seja a sua própria pele. Escolha e não poderá voltar atrás, não escolha e ainda sim não poderá voltar atrás. Não estou louca, nem perdida. Estou lúcida e sei o caminho. E no caminho à liberdade o que se encontra é dor e cansaço. Quanto mais profundo estiver mais preso estará. Esqueça a idéia de ser livre, não existe. Livre é quem tateia a vida com os pés e não se preocupa em se conhecer, esse é livre pois dorme em paz. Cuida-te para manter teus elos, e escolha escolhas não precipitadas, temendo todo tipo de precipitação.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Lado n

Ontem eu resisti a saudade, e a vontade.
Como nunca antes logrei resistir.
E agora escrevo, algo deve estar no fim, é sempre assim.
As coisas nunca duram o instante em que ocorrem.
Que acabe, que termine, que doa.
É preciso dor para escrever, é preciso um coração em cinzas para fugir, e é preciso queimar, consumir completamente.
Mas me falta coragem, falta astúcia, falta querer.
Rego-me da chuva de outros tempos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010


Mas esse amor é tão escasso. Tipo o nosso, que se configura como um daqueles milagres de outono, mas nessa época do ano não é exatamente o que se pode esperar. Te espero todos os dias, sentada com aquele livro que leio a anos, e ainda não sei quem morre no final, quem casa e se casaremos. Você diz que vem, e eu vejo a poeira levantar lá longe, mas nunca chega. Você é meus vagões. Meu trilho. Meu ritmo, meu tino. Você já esta aqui, não é. Não há mais o que esperar, você já esta aqui. Sei porque minhas mãos já estão aquecidas e elas não se aquecem sozinhas.

sexta-feira, 9 de julho de 2010



sábado, 8 de maio de 2010

"Na verdade, apesar de tudo eu tento me sentir bem. Matenho-me firme de cabeça erguida, contando com o sol do outro dia, por mais que eu sempre tenha preferido tempestades. Mas quando se esta em completa tempestade a tanto tempo, então surge um desejo por sol. Por águas calmas. Por um calorzinho que te aqueça, te faça sentir bem."

terça-feira, 27 de abril de 2010

Pássaros do sul


"Se de tudo não me restasse nada, mas sobremaneira a poética não me tirassem, então sobreviveria. Caso houvesse tudo e me esvaisse ela, então eu não faria mais sentido."

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Não procuro refúgio

"Não estou bem. (Pra usar de um doce eufemismo). Encontro-me num oco espaço, e não sei como seguirei, daqui para frente. Como uma cela, onde só me é possível ficar de pé, respirar cada vez menos, um ar rarefeito que me vai tirando a ordem cronológica das coisas, acossando duvidas do que é real. Quero saber quando isso acaba. (Ou que termine, ou que me destrua, porque de tudo é melhor que tenha um fim, e que o fim seja breve). Mas uso das técnicas que aprendi em minha infância, de como suportar a dor, sublimando-a, mas começo a achar que seria melhor ter aprendido técnicas de como suportar a solidão. Nem orgulho tenho mais. Dobro-me em dois sem que isso me cause muitos constrangimentos, a solidão me rusgou e não tenho mais o forte vigor das primeiras aprendizagens. Nesse lugar com tanto tempo, o que menos tenho é tempo que me indique um escape. Perco a precisão dos dias, e não sei nem quando tenho fome. A dor se alimenta de mim. Não procuro refúgio."

terça-feira, 20 de abril de 2010

"O fato de você ter essa necessidade pungente, de dizer sempre o que pensa da forma mais crua e cruel possível para que tudo esteja claro, me assusta, me faz recuar pressentindo as suas reações... E por mais que eu considere a expressão um bem preciosíssimo, penso que quanto maior sensibilidade entre as pessoas menor fica a necessidade de ser tão minuciosamente frio. "

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Heathcliff, sou eu, sou Cathy, voltei pra casa


"-Dei-me tua mão Heathcliff...andaremos de mãos dadas ate que nossos pés não possam mais andar um passo se quer...
Ele me olhou enfurecido. Dos seus olhos negros fugiam o calor do lugar de onde ele havia vindo. Era possível ver o inferno através deles.
-Vamos! ande! não tenho o dia todo. Dei-me a mão, rápido.
Puxei seu corpo para perto do meu, segurando apertadamente em seus dedos, partindo a andar rapidamente rumo a granja. A três milhas de passarmos pelo vale ele tentou se desvencilhar de mim, mas se surpreendeu vendo que eu já esperava por aquilo a qualquer hora. Segurei ainda mais forte em sua mão e dei-lhe um safanão que se tratando de uma pessoa menos robusta o deslocaria o ombro. Olhei seus seu rosto taciturno, e suas feições se retorciam enquanto ele praguejava silênciosamente aquela tortura e sua torturadora.
- Olhe pra mim querido. Olhe nos meus olhos... Isso assim. Tire esse cabelo do olho. Vamos, não quero você me olhando por entre esses cabelos... Ótimo, assim esta melhor. O dia não esta maravilhoso querido ? Vamos, a granja esta logo ali...
Passamos pela granja, e depois pela igreja de Gimmerton, o sol já não nos ofuscava mais os olhos, mas continuamos a andar. Anoiteceu, e não paramos. Já não podíamos sentir nossas pernas, nem nossos corpos, ele ia se diluindo em minha mão, já estávamos quase fundidos um no outro, tão forte e tanto tempo havíamos estado de mãos juntas. Por vezes estava absorto em seus pensamentos .Ventos jocosos cortava-nos a face, e tinhamos os lábios secos, e feridos.
Ele olhou para mim e em seus olhos já não havia mais ódio, nem raiva, nem rancor, nem fogo. Vi que de sua testa jorravam filetes de sangue. Eu tentava me concentrar em nele, mas não conseguia, não conseguíamos parar de andar. Sua boca se movimentou lentamente. Tão lento quanto o movimento de seus braços. E aproximando-se mais, disse com o pouco ar que dispunha:
- Cathy ? Cathy ? É você ? - Seus joelhos fraquejaram e ele tombou no chão, estava comigo agora."

domingo, 11 de abril de 2010

Não é um teste


"Tornei a pensar sobre aquilo que ficou suspenso, pendendo entre nós, e continuo achando que a única saída é que cada um caminhe milhas para lados opostos antes do debacle inevitável. Porque a liberdade me chama com pressa, me grita, fecha o cenho e exige taciturna a minha presença. Não posso mais esperar. Vou sem demora. Se quiser poderá acompanhar-me, mas cada um tomando por própria a sua liberdade. Porque eu ? Eu sou livre."

Vis-à-vis


"Tem dias em que fecho os meus olhos para poder ver seu sorriso redondo, tão transparente, que me envolve das melhores lembranças de minha vida. Vejo seus olhos e ouço o tom da sua voz tentando inculcar em minha mente, isótopos, isóbaros e isótonos.Nada daquilo serviu para alguma coisa confesso-te. Mas não é frustrante. Você não esteve ali para me ensinar elementos.Você será um dos meus personagens favoritos, pelo resto da minha vida. Ou mais verdadeiro que isso “Você é o personagem de um romance já delineado em minha mente”. E toda vez que eu te encontro aquiesce as faíscas desses planos longilíneos. Não se assuste quando uma primeira edição chegar em suas mãos dedicada ao mentor da matéria que nunca saberei.É da forma como você fala comigo que me faz ser mais certa do que quero ser, e como quero ser.Esses dias me surpreendi naquele lugar que sempre nos encontramos por acaso, pensando em você, e como seria bom te ver naquela hora. Demorei mais que o costume tentando forçar o acaso. Não surtiu efeito. Fui embora sabendo que mesmo não tendo nos encontrado, tive um pouco da sua essência (que guardo enrustida na lembrança) naquele dia. E nunca esteve tão nítido o seu sorriso, seus olhos, e seus dedos e camisa sujos de giz. Não obstante fiquei feliz. "

sábado, 10 de abril de 2010

Meu nome é fogo

"As vezes me surpreendo exposta a tanta liberdade que não posso, recuo. Fico suspensa tateando com os dedos nus , um chão sólido o bastante para que nele eu pouse.
Mas no exato instante em que meus joelhos sentem-se precionados, torno a tomar impulso, galgo alto, rumo a outro chão sólido. E não obstante voô incontida."

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Um texto prolixo


"De tanto pensar, e muito pensou, chegou a conclusão de que só lhe restaram duas ideias. Ideias rearranjadas de modo tão intrincheirado, que eram duas únicas ideias. A primeira era de que já não era mais a mesma. A segunda era que não sabia quem era. E se perguntava se é possível não ser ninguém no espaço atemporal entre não ser mais quem você já foi, e ser quem você será futuramente. Ia vivendo um outro ser provisório, enquanto não estava pronta a ponto de ser nova. E nisso, de não ser quem era e nem quem será, ia descobrindo que era leve a condição de não ser absoluta."

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O convidado surpresa


E então ele amava essa mulher, e a admirava de todo coração. Encontrava nela, o suprimento para inspiração diária, sempre que acordava, sempre que olhava para seu lado esquerdo na cama. Sempre que acariciava seus cabelos negros.


Mas por motivos inexplicáveis, fora do alcance do entendimento do homem - como instituição social. Longe de explicações filosóficas e cientificas. Ele deixou de suportar a dor de vê-la olhando para ele, com os mesmos olhos brilhantes de sempre. Não podia mais retribuir o sorriso de hálito fresco, o mesmo sorriso que ele resistiu pela primeira vez que se viram.


Sem saber quando nem como havia se tornado pesado e enfadonho saber que ela estaria sempre ali. Contando-lhe todos os seus segredos. Mortalha. Morfeu.


Talvez tenha sido um tanto de covardia aceitar tanto tempo e por fim assim, agora. Talvez tenha sido muita coragem aceitar tanto tempo e por fim assim, agora. Talvez ela devesse ter tomado partido para a política anarquista sem suas règles ou talvez “Se eu quisesse, se eu amasse você, é claro que eu teria mudado as suas regras”.


Não sendo a mesma. Tornei-me uma figura de livro, uma vida lida.

Sobre a Carta de Gregoire p/ Sophie

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

-Por hora, estou em época de estiagem entressafra. Arando e aerando a terra. Quer regar?
-Não sei como fazer.... Mas quero. Demais.
-Também não sei como me regar. Mas acho que primeiro se é preciso as sementes na terra colocar.
-Pode me ensinar o que eu tenho que fazer?
-Não sei. Pouco entendo de terra, nada entendo de plantas.
-Meu forte é plantas. Mas não sei cultiva-las.
-Acho que a minha espécie, é daquelas que não gostam de agua, não suportam sol. precisam de uma redoma de vidro, e obrigam egoistamente o principizinho a se retirar de seu planeta.
-Xiiii eu sou um bicho do cerrado.
-Não pode então me plantar, e me regar? Poder eu posso. Vai depender do meu aprendizado. E mais ainda, da sua paciência.
-Prometo ser uma semente, paciente."

Conversas com Maga_li
"Ah sua mente..
é um oceano de segredos...
isso se reflete em você..
não diria segredos..
mas parece q cada canto de você tem um tesouro."

O meu eu de agora diria com certeza, ao meu eu de antigamente.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009


Não sabia, como havia chegado ali, se lembrava de uma leve dor na escapula esquerda.
Mas aquela brisa, a colocava no lugar. Mas realmente não sabia como estava ali.
Ouvia ruídos vindos de tão longe, que soavam dentro de si , e uma musica sissilante ao fundo.
Mas não reconhecia aquela sensação.
Há muito não reconhecia quem era.
Parou de frente ao mar, e as ondas se prostraram lambendo-a os pés.
Se lembrou que havia dito a alguem "Por favor segure minha mão".
Se lembrou de ter dito"Cuida bem de mim..."
Sentiu a brisa tocando sua mão, e a segurando forte.
O mar amainou.
"Moço...cuida bem de mim?"
Sentiu frio, e lembrou que havia pedido calor.
"Me aquece?"
Seu vestido, quis fugir de seu corpo, e seus braços a abraçaram.
"Moço...cuida bem de mim?"
Então o mar uivou.
"Não te deixo jamais."

sexta-feira, 9 de outubro de 2009


Vestiu, aquele seu primeiro vestido que havia costurado, vermelho com uma fenda nas costas, gola reta quase nos ombros. Preparou o jantar. Afagou a Theresa. Preparou a mesa. E as palavras tambem. Esperou-o chegar.
Ele chegou. Ela o levou ao banho. O beijou. O Tocou.
Eles se sentaram. Os dois. A mesa estava posta pra dois. Duas velas. Duas taças. Dois corações. Trouxe o vinho. Trouxe os pratos. Afagou a Theresa. O serviu e se sentou.
Se olharam.
...
- Lembra quando você chegou em casa bêbado?
- Unrrun!
...
- Porque esta falando disso? "Já faz tanto tempo" - sussurou
Ela soltou o garfo delicadamente no prato e perguntou:
- Você pode pegar a sobremesa para nos querido? - sorriu com o canto esquerdo da boca, e chorou pelo lado direito do peito.
Ele trouxe. A Beijou e se sentou.
- Hoje, uma mulher me disse, que é sua amante. Que faz tempo que você promete que vai se separar. Ela então resolveu dar um jeito sozinha...
Ele levantou os olhos. Olhou pra ela.
- Ela foi tão convincente, que eu quase cheguei a acreditar. Só não acreditei, porque eu confio em você. Mas mesmo com tudo isso eu ainda posso estar enganada. Então, você pode continar a me trair. Pelo resto de nossas vidas. E pode decidir ser fiel. Pelo resto de nossas vidas. - ela falava tudo isso, mansamente como um cordeiro. - Você me prometeu ser fiel, você prometeu a si. Que me seria fiel, antes mesmo de me amar.
- Você não quer que eu te conte como foi?
Ele parecia estacionado em uma dobra espacial.
- Não preciso.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009


"Você esta bem?"
Ele perguntou reticente.
"Não muito!"
Ela respondeu no mesmo tom.
"Quer me contar?"
Ele se sentou ao lado dela, e nem precisava das palavras.
Só seus olhos já bastavam para perguntar.
"Te contar não vai me fazer sentir melhor.
Mas eu posso contar, se você quiser saber..."
(...)


Na maior parte das vezes,
somos confidentes,
não por querer ajudar.
Mas por pura curiosidade.

sábado, 5 de setembro de 2009


O silêncio com Ele é mais audível.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

- Só vou... E indo deixarei boa parte do meu futuro para trás.

sábado, 8 de agosto de 2009


"O que eu digo para você fazer
É o que eu não consigo
E isso me agoniza..."

Paola Magnólia Carleto

" O que sei que tenho que fazer
Me imobiliza
E não posso revolver."

Nathya Carmylle

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Ela era assim, tudo o que escrevia ressoava em algum lugar. Ressoava em mim. Certas vezes, conseguia escrever ate mesmo palavras que eu ainda estava por pensar. De forma alguma; seria muita prepotência minha, achar que ela se esforçava a fazer isso. De maneira nenhuma. Ela fazia, porque era assim que sabia fazer. Eu a lia, e ficava aqui calada, tentando entender como é que podia alguém ler pensamentos. Ate onde eu saiba, e desde criança me ensinaram que so os seres mitológicos o podiam fazer, mais isso...isso estava a muitos mil anos a traz. Será que ela seria um desses seres, que lêem as mentes, e sem prudência alinhavam meus temeres?
N . Carmylle, sobre P. Magnólia
e soa estranho para quem "conhece" Nc

quarta-feira, 3 de junho de 2009

- Eu não quero conhecer ele – Ele disse olhando para longe dela.
- Porque não?
- Porque não.
- E desde quando porque não, virou resposta satisfatória?
Ela abriu a porta do carro, e saiu. Antes de entrar no edifício, voltou e sentou-se de novo no carro
- Amanhã você me ajuda a fazer compras?
E ele colocando já a primeira marcha disse
- Ah! Sacrifícios...
- Ela sorriu e saltou do carro.
...

- A não, você não vai levar isso...Isso é comida de cachorro!
- Para, lógico que vou levar...
- Tá bom, então isso dá câncer... Não gasta seu dinheiro com isso não...
- Ai e desde quando você se alimenta bem?
- Hun...desde - o telefone dele tocou.
- Alo?
- Oi.
- Fala irmão...
- Eu vou para ai essa semana ta?
- Uai, assim? Duma hora pra outra? Ta.. Mas porque a mudança de idéia, ate semana passada você não vinha.
- A questão é que ate semana passada eu não sabia que ela estava ai. Posso ficar na sua casa ou não cara?
- Lógico.., Mas se eu fosse você não vinha essa semana não, quer dizer pode vir... Mas é que o noivo dela vem, a família toda, seila ...
- Hun... Posso ir cara?
- E essa? Você também acha que é de cachorro? – Era ela gritando entre as gôndolas, com dois pacotes de bolachas na mão.
Ele fez com o polegar um sinal, de “ um minuto” e continuou no telefone.
- É a voz dela?
- Nossa você ouviu?
- Claro cara... Você ta com ela?
- Unrrun – eu prefiro essa- apontando pra bolacha da esquerda.
- A então eu vou levar essa - e pois a da direita no carrinho
- Que que vocês estão fazendo?
- Compras!
-Compras?
- É cara, o que que você que a gente ia estar fazendo com bolachas?
- Hun... Como ela esta?
- Ah, cara faz assim, vem essa semana pra você mesmo ver. Falou?
- Certo.
- Você é muito do contra sabia garota?
- Uii, me chamando de garota...
- Era ele no telefone!
- Hun... Uai e ele te liga?
- Poise, mas faz pouco tempo!
- Quanto tempo?
- Desde o nosso almoço.
- E o que uma coisa tem haver com a outra?
- Ele sabe que você esta aqui...
- Como as noticias correm em...
- E ele quer te ver!
- Mande uma foto..
- Já mandei!
- ...
- Ele vem aqui
- Deixa vir...

Eles andaram por mais alguns corredores, procurando não se sabe o que...
-Porque não quer conhecer? – Ela parou de frente a ele, no corredor dos frios, e realmente estava muito frio.
- Quem?
- Ele!
- Ele?
-É !
-Porque se eu o conhecer eu vou ter que deixar de te desejar.
Um casal de sexagenários passou entre os dois, e o telefone dela tocou.
- Oi filhinha!
- Oi mamãe, que saudade! Nem te conto sabe quem vem me visitar?
- Sei!
- Ah, mamãe larga de ser sem graça
- Ah você perguntou...
E as duas riram.
- To ligando pra dizer que também vamos
Ela soltou um gritinho de alegria
- Não acredito !
- Poise, mas não conta pra eles ta? Vai ser surpresa ver todo mundo junto
- Ta man.
- O que você esta fazendo querida?
- Estou na fila do caixa, no supermercado, e você?
- To em casa, vou desligar pra você terminar as compras ta?
- Te amo mamãe!
- Eu também querida.
- Saudades de você e do papai, muitas.
- A gente também. O papai ta mandando um beijo.
- Manda outro pra ele.
- Tchau, filha.
- Tchau...
....

- A gente fala sobre aquilo, ou finge que não aconteceu?
- Próximo ! – era a moça do caixa gritando
- Não sei, falar sobre o que?
- Sobre o que você disse, sobre o que acabou de dizer!
- O que eu acabei de dizer?
- Não, não é acabou de acabar literalmente ...Vamos falar ou não?
- Não estamos falando?
- Porque você esta falando assim?
- Assim como?
- Assim desse jeito, pra que isso?
- Nada deixa quieto
- Achei que seriamos amigos pra sempre
- É como diz canção, o sempre, sempre acaba
- Então é isso? Vai fazer como ele?
- Ele quem?
- Aquele seu amigo, você aprendeu com ele, não é? A Largar as coisas pelo caminho... Ou será que ele aprendeu com você?!
- Ele te marcou não é?
- Claro que marcou. O que você esperava...
- Você não quer que eu fale sobre isso né.
- O que?
- Mas eu disse alguma coisa?
- Para com isso, e não coloca isso embaixo daquilo...esse porta- malas é minúsculo, e que tanto de compras, tem certeza que isso tudo é nosso?
- Não não vou parar, na verdade eu nem sei o que você quer que eu pare.
- Olha se vamos brigar então pelo menos eu acho justo saber porque estamos brigando.
- Porque te amo! E eu não consigo imaginar você com outra pessoa, e so de pensar isso me dói. Não justo, chega a ser desleal...
- Não...
-Não o que?
- Me recuso!
- Se recusa a que?
- A brigar por esse motivo
- O que?
- Você me ama?
- Não
- Não me ama?
- Porque eu tenho que ficar repetindo as coisas que digo?
- Estamos brigando pelo que?
- Sim
- Sim o que?
- Quer saber, sim, sou fraco.
- Desde quando?
- Desde pequeno, nunca consegui te olhar nos olhos!
- Desde quando você me ama?
- A gente pode parar de brigar agora?
- Não, não vamos - ela entrou no carro.
- Porque?
- Porque é preciso um bom motivo!
- Pra que? Pra eu gostar de você? Pra gente brigar? Olha pra você é, a mulher mais incrível que eu já conheci, quando eu estou com você, eu imagino que eu não deveria estar lá, porque eu não mereço. E quando estou longe, so penso em estar perto. Droga de clichê. Você saberia as palavras, né...É por isso que eu amo, você nunca perde as palavras. E tem mais coisas, muitas coisas, tantas, milhões, milhares... a ordem ficou errada...são muitas infinitas...
-A gente não precisa mais brigar, por motivo algum, nem descobrir o motivo. Tudo bem assim?
- Certo.

domingo, 24 de maio de 2009

"Então ela decidiu escolher muito bem as coisas que privilegiaria com a memoria daquele viagem. Por que ela sabia que determinado aroma, sempre a lembraria daquele momento, e ela queria que tudo fosse perfeito e que as lembranças fossem também as melhores possíveis."

segunda-feira, 20 de abril de 2009


Deve ser assim quando não se tem mais medo da morte.

Sim, sim adrenalina eu senti. Sim, sim as pernas ficaram moles. Sim, sim deu, deu vontande de cair. Tambem, tambem senti a vista escurecer. Claro, as mãos suaram sim. Se os olhos lacrimejaram? Se lacrimejaram. É lógico, que perdi a fala.


A diferença?


Não existia medo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Tem de ser assim? Tem de ser!


Talvez as invontades sempre me inspirem. Talvez elas sempre me inspiraram.
È engraçado quando se tira força de onde há só leveza, como diria Beethoven, como diria Kundera, Es muss sein!.
E se a outra forma? Não a conheço. Talvez não deva existir. Dizem que só se sabe o que é bom por conhecer o ruim. Muss es sein? Es muss sein!
Se é a força de dizer estar fraco que consiste, o poder. Então digamos de pronto: Não consigo.
Se entregar os pontos na hora exata do arremate é manter-se constante, então não terminemos jamais, á bordar.
A muito, algumas palavras se perderam. Se é que elas se perderam, imagino, que foram por livre e espontânea vontade se diluindo de mim.
Nem histórias, nem conceitos, nem filosofias. Apenas uma tentativa de iscar novas palavras.
Muss es sein? Es muss sein!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Inconscientes.
Quase nunca se entristecia (pelo que lhe era dito).
Quando se entristecia, era pelas atitudes serenas, calmas, premeditadas.
Ditadas de toda a doçura de ser afligido com crueldade.
Não aquelas palavras, proferidas em torpor .
Mas aqueles gestos manifestados em singela paixão.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Zé Romão e Doralice


Zé Romão e Doralice



Zé Romão era um cara politicamente correto, honesto, quando se diz de pagar os impostos em dia; á Deus o que é de Deus, á Cesar o que é de Cesar, ele dizia. Andava com as calças bem acinturadas, claro presas pro uma correia de couro tão surrada quanto o próprio Zé. Mas não se engane, era um cara pintoso, e sem duplos sentidos, talvez com. Andava sempre, sempre, batendo o solado das botas no chão, fazendo musica, tramborilando os dedos a cada contratempo sonoro. Ziguezagueando os olhos e batendo os lábios como percussão. Chacoalhava os cabelhos a cada dois tempos e pigarreava a cada intervalo de semi-breve. Usava o som dos ventos como tenor, e colchetes em compassos 4/4. E no mais, sorria. Era sempre seu grand finale. Sorria principalmente quando encontrava Doralice.



Miudinha, quase quebrável, era o tudo de Zé. A ela, ele dedicava todas as suas musicalidades, e ela podia ouvir, todas em clave de Sol, claro. Como ele dizia, “Sol combina com você, minha querida”. Eles se cantavam todos os dias.



Dia após dia Romão compunha novas sinfonias a Dora, ate suas botas se gastarem...Mas não desistiu, continuou sem o som imponente das botas, que agora se parecia mais com um xixiar de coisa velha. Não importava o grand finale ainda estava lá, e era em seu rosto. Ele a tocava e ela fazia cambre. Ah como era adorável.



Todos os dias colcheias e semi-colcheias, causavam inveja nos pássaros que se atreviam a manter pouca distância, dos compositores.
Veio então a perda das botas, elas não batiam mais ao chão, nem mesmo xixiar faziam, os dedos não queriam mais tamborilar, então apareceram mínimas, e os olhos já não mais queria ziguezaguear. Os lábios tocavam apenas o bumbo, vai a quarta, a quinta,o acorde menor cai, e o acorde maior sobe, e aparecem semi mínimas. Os cabelos já não mais nem ao menos balançavam.
A clave não combinava tanto assim com Dora, nem haviam mais cambres, tudo agora era grand jetes, e atchitchitchis. Não me pergunte o que aconteceu, a musica apenas deixou de ser ouvida.
Sem intervalos de semi-breves, sem tenores dos ventos, sem compassos 4/4. Sem grand finale. Então surgiram as fusas.

quinta-feira, 5 de março de 2009

sorriso jocoso


Hoje é dia de sorrir

Sabe quando você se pega sorrindo sozinha e pensando em escrever um texto?
Que fala sobre a felicidade em ver tudo o que você planejou acontecer?
Quando você não consegue ver mais ninguém e tudo é apenas sentir-se bem?
Quando você sorri e cantarola uma canção que a muito não ouvia?
Quando não da para imaginar que seria de forma diferente?
E quando tudo isso nada tem haver com o amor de outra pessoa.
Eu já escrevi em velório e agora escrevo em um papel rasgado,
enquanto atravesso uma avenida, e escuto aquela mesma canção em meus ouvidos.
E so rio.

Não, você nunca deve ter passado por isso.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

"É que as vezes as palavras me atropelam,
e eu as deixo presas,
trancadas em minha cabeça..."

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009


Preciso de ti
Assim? O que posso ser para ti?
Companhia...Toca pra mim?
Quer que a minha compania, toque onde em sua alma?
Pode ser nos pés dela que descalços caminham ou nas mãos que mesmo sem luvas faz magia.
Tocarei então os joelhos, que sustentam (todo) seu ser.

domingo, 22 de fevereiro de 2009


...din don...
toca o sino da justiça
...din don...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

- Mãe o que é uma coisa descartavél?
- A meu filho, que pergunta, deixe-me ver como eu explico...é uma coisa que se usa e joga fora, entendeu?
- Hun, tipo um brinquedo?
- Não, tipo as pessoas meu filho.

...E um sorriso infantil, de quem compreendeu a materia explicada

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Inspiração;
deveria ser a falta de algo,
e não a essência daquilo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

eu so quero o seu bem.
e querer o bem a outra pessoa nem sempre é o meio mais fácil.
Rans P. sobre Cis M.
isso soa estranho para quem "conhece" o DR RP